Abstract:
As marés têm um papel fundamental para o padrão de circulação dos estuários, contribuindo para a sua complexidade. No interior do estuário as componentes de origem hidráulica aumentam a sua importância face às de origem puramente astronómica e que compõem maioritariamente a maré de zonas não confinadas. Este trabalho teve como objectivo principal a caracterização da maré no interior do estuário do rio Minho, comparando-a com a maré de um local próximo em mar aberto. Com essa finalidade, foram utilizados dados de alturas de água de três marégrafos de pressão instalados ao longo do estuário do Minho: Caminha, Vila Nova de Cerveira e Segadães. Estes dados foram comparados em tempo e em frequência com as observações maregráficas de Viana do Castelo. Entre os resultados obtidos, verificou-se que a maré é assimétrica, dominada pela enchente e fortemente influenciada por constrangimentos batimétricos e pelo caudal fluvial. O método de análise harmónica foi aplicado e verificou-se uma diminuição da amplitude da constituinte lunar semi-diurna principal na direcção de montante, mas um aumento da sua primeira harmónica e de constituintes compostas. Devido à elevada influência do caudal fluvial nos dados, a previsão por análise harmónica não conseguiu acompanhar a curva de maré em períodos de caudal externo. Assim, aptou-se por desenvolver uma equação de previsão baseada em resultados de análise harmónica e de wavelets, aplicada ao sinal do nível hidrométrico registado numa estação hidrométrica a montante de Segadães e às observações maregáficas nos três pontos de observação