Abstract:
Nos últimos anos, a cartografia náutica sofreu uma evolução radical com a produção de cartas digitais. A cartografia náutica electrónica começou a dar os primeiros passos na década de 70, com o scanning ou fac-simile das tradicionais cartas de papel. Na década de 80, começaram a produzir-se cartas electrónicas em formato vector. As grandes potencialidades deste formato levaram a Organização Hidrográfica Internacional (OHI) a adoptá-lo como padrão para a produção de cartas electrónicas oficiais, tendo publicado uma norma para uniformizar a produção cartográfica electrónica em todo o Mundo. As cartas produzidas de acordo com essa norma e distribuídas por um organismo ou entidade hidrográfica governamental tomam a designação de Cartas Electrónicas de Navegação Oficiais (CENO), sendo as únicas que podem substituir as cartas náuticas de papel oficiais.
As CENO são autênticos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) marítimos, permitindo inúmeras aplicações para além da mais comum, que é a sua utilização na navegação marítima em substituição das tradicionais cartas náuticas de papel. As CENO podem ser integradas com outros SIG, podendo responder eficientemente a um mercado cada vez mais exigente quanto à quantidade e qualidade da informação. A título de exemplo, elas podem ser utilizadas em Vessel Traffic Services, destinados à gestão e vigilância do tráfego marítimo na costa, bem como noutros sistemas de vigilância e em sistemas de monitorização ambiental.
O Instituto Hidrográfico está empenhado desde há alguns anos na produção de CENO, tendo previsto publicar até final do corrente ano 31 células, sendo de realçar que já se concluiu a cobertura das águas costeiras portuguesas, estando produzidas as 6 células que cobrem toda a costa de Portugal continental, numa área que vai até cerca de 60 milhas da linha de costa