Abstract:
Entre 5 de Setembro e 3 de Outubro de 1994, decorreram os trabalhos de campo da campanha hidromorfológica para o estudo da barra do Douro, realizado pelo Instituto Hidrográfico a pedido da Administração dos Portos do Douro e Leixões, que incluíram as seguintes tarefas: medidas de níveis de correntes, salinidades e temperaturas; medidas de transporte de sedimentos em suspensão e junto ao fundo; recolha de amostras superficiais de sedimentos no Rio Douro e área marginal ao Cabedelo; caracterização granulométrica e determinação de porosidades das amostras; levantamento a sonar lateral e sísmica ligeira de reflexão para caracterização morfológica da zona da barra e localização do substracto rochoso.
A aquisição dos dados referidos visa a calibração de um modelo númerico a desenvolver por consultores privados. A partir da análise e integração dos dados disponíveis procurou fazer-se uma caracterização sedimentológica e dinâmica das áreas estudadas. A cobertura sedimentar do leito do Douro apresenta elevada heterogeneidade dimensional, compreendendo todos os termos desde cascalheira a argilas, dando origem a amostras geralmente mal calibradas. No banco marginal ao Cabedelo, pelo contrário, e bem visível a apetência calibradora induzida pelo elevado nível energético do meio, traduzindo-se em amostras melhor calibradas, geralmente areias médias e grosseiras. Constata-se a fraca capacidade de fornecimento sedimentar de areias do Douro ao banco marginal ao Cabedelo, não sendo de excluir que seja este a fornecer esporadicamente areias a zona da barra e ao estuário. Os sedimentos transportados em suspensão paracem encontrar-se "armadilhados" num sistema de circulação capaz de promover o seu retorno ao estuário, o que juntamente com processos de floculação e a coesividade poderão justificar a abundância de "finos" na zona estuarina. Conclui-se que o estuário do Douro e uma zona com elevado potencial de retenção de sedimentos, sendo a dinâmica sedimentar dominada pelo fluxo fluvial e pelas correntes de maré. A barra actual apresenta espessuras de sedimentos não consolidados relativamente que juntamente com processos de floculação e a coesividade poderão justificar a abundância de "finos" na zona estuarina. Conclui-se que o estuário do Douro e uma zona com elevado potencial de retenção de sedimentos, sendo a dinâmica sedimentar dominada pelo fluxo fluvial e pelas correntes de maré. A barra actual apresenta espessuras de sedimentos não consolidados relativamente reduzidas, confirmando-se que ocupa uma faixa marginal do entalhe antigo do Rio Douro