Abstract:
A faixa litoral Aveiro-Cabo Mondego corresponde a uma costa aberta,
arenosa, com dinâmica intensa e que tem sofrido significativas variações ao longo deste século, particularmente na sua segunda metade. Tais variações têm como manifestação mais evidente a modificação da evolução da linha de costa, nomeadamente através da aceleração de um processo de erosão que era ainda incipiente em meados do século XX . Actualmente, o litoral estudado apresenta tendência genérica para o recuo da linha de costa e
para o agravamento do mesmo no futuro imediato.
Importava saber quais as diferentes condicionantes que levaram a estas variações e qual a importância relativa de cada uma. Efectuou-se para tal uma caracterização sedimentológica e morfológica da zona, estudaram-se os efeitos dos temporais sobre o litoral, as consequências da subida relativa do nível médio do mar e a importância do fornecimento de sedimentos, bem como das acções antrópicas. Concluiu-se que o recuo existente, ainda que sendo promovido pela acção dos temporais, deriva sobretudo da carência no fornecimento de sedimentos pelas fontes originais, a qual é, em grande parte, consequência de acções antrópicas. Daqui resulta que a saturação da deriva litoral, por forma a equilibrar o balanço sedimentar, seja actualmente feita a custa da erosão das praias e das dunas.
A previsão de agravamento do recuo da linha de costa, para as décadas vindouras, permite apontar a forte possibilidade do aumento das zonas sujeitas a ruptura do cordão dunar frontal, com consequentes galgamentos oceânicos
Este aumento far-se-á sentir de forma mais intensa a norte do Canto do Marco e
poderá causar graves problemas sócio-económicos, face à ocupação humana
actualmente existente. Espera-se que num futuro próximo se adopte uma forma de
gestão costeira equilibrada e eficaz, de acordo com a dinâmica litoral
existente e que permita minimizar as eventuais consequências negativas das
tendências evolutivas da linha de costa apontadas neste trabalho.